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Debates com Renato Dagnino no Setorial de C&T e TI do PT

 Há alguns anos venho debatendo com Renato Dagnino, no âmbito do Setorial de Ciência e Tecnologia e TI do PT, suas posições sobre os temas tratados no Setorial. Sempre expressando divergências com muitas de suas posições. Esse texto procura dar mais profundidade a essas divergências, saindo dos limites das discussões no Setorial. Ao longo desse tempo tenho procurado ler alguns dos textos publicados por ele, para entender em mais profundidade seu pensamento e poder produzir uma crítica sustentada. De início, é importante reconhecer o mérito de seu posicionamento em relação ao determinismo tecnológico e ao mito da neutralidade da ciência. É inegável sua contribuição no sentido de demolir esses conceitos. No entanto, sua trajetória teórica e política, na minha opinião, é marcada por um desvio que está no centro de suas argumentações, que é a de operar na chave de um reformismo tecnocientífico. Quando propõe que as comunidades de pesquisa científica e tecnológica redirecionem seus pr...

Uma contribuição ao debate sobre Tecnociência e Economia Solidária

  Uma contribuição ao debate sobre Tecnociência e Economia Solidária Sobre a tecnociência Começando pela conclusão, os limites entre a ciência e a tecnologia podem ser cada vez mais difusos, mas existem. Não podemos enquadrar toda a ciência e toda a tecnologia como tecnociência. Essa discussão sobre ciência e tecnologia remonta aos tempos de Platão e Aristóteles, com os conceitos de téchne e epistéme . Aristóteles define a segunda como o saber teórico com um fim em si mesmo. E a primeira como o saber fazer as coisas do mundo, com um fim que não está em si mesmo, e sim em seu uso. Ao longo do tempo esses conceitos foram evoluindo. O que para os gregos eram conceitos filosóficos, para nós são conceitos fortemente ligados a economia e a valorização. A questão da subordinação se reveste de um caráter importante. A ciência é vista como a que produz todo o conhecimento racional e verdadeiro, que permite ver o mundo com objetividade, e a tecnologia como a materialização da prod...

Comunicação Digital nas Eleições de 2018

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  Introdução O meio é ou faz parte da mensagem? Nos anos 1960 um sociólogo canadense, Marshall McLuhan, foi muito discutido nos meios acadêmicos, e fora dele também, em função de sua tese de que “O Meio é a Mensagem”. Nos tempos das contestações da contracultura e dos avanços significativos da tecnologia, essa discussão ganhou o mundo. O que se viu em seguida foi uma desmistificação dessa tese, que ficou restrita aos Estados Unidos, em função da visão da dominação pela tecnologia da sua sociedade. Principalmente com a descoberta de que a produção de McLuhan foi impulsionada por empresas de marketing. De uma forma geral o que sobrou dessa discussão é que de fato o meio não é a mensagem. O meio em si é um mecanismo de transporte que não agrega nenhum sentido ou significado à mensagem que transporta.   Por mais que a mensagem tenha que ser sempre construída de maneira apropriada ao meio que a transportará. A chegada dos portugueses ao Brasil no século XVI foi comunicada ao ...